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	<title>Tangerina &#187; Tangerina</title>
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	<description>Jardim-de-Infância - 1º Ciclo - Act. extra curriculares</description>
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		<title>Um dia, isto tinha de acontecer</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 16:04:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tangerina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autoridade e Disciplina]]></category>
		<category><![CDATA[Um dia...tinha de acontecer]]></category>
		<category><![CDATA[geração; rasca]]></category>
		<category><![CDATA[Um dia]]></category>

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		<description><![CDATA[Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color: #800000;"><strong>UM DIA,<br />
ISTO TINHA DE ACONTECER</strong></span></h2>
<h3><em>por </em><strong>Mia Couto</strong></h3>
<p>Existe uma geração à rasca?<br />
Existe mais do que uma! Certamente!<br />
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.<br />
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.<br />
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.<br />
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.<br />
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.<br />
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos&#8230;), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.<br />
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.<br />
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego&#8230; A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.<br />
Foi então que os pais ficaram à rasca.</p>
<p><span style="color: #800000;">Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.</span></p>
<p>Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.</p>
<p><span style="color: #000000;">São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.</span></p>
<p>São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer &#8220;não&#8221;. É um &#8220;não&#8221; que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!<br />
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.<br />
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.<br />
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou.</p>
<p><span style="color: #800000;">Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.</span></p>
<p>Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.<br />
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento.</p>
<p><span style="color: #000000;">Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.<br />
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.</span></p>
<p>Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.</strong></span></p>
<p>Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.<br />
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?<br />
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!<br />
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).<br />
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.<br />
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos &#8211; e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas &#8211; ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!<br />
Novos e velhos, todos estamos à rasca.<br />
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.</p>
<p><span style="color: #000000;">Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.<br />
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.</span></p>
<p>Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.<br />
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">[end]</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;SÉQUESSO&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2011 14:56:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tangerina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Próxima consulta]]></category>
		<category><![CDATA[Temas em Discussão]]></category>
		<category><![CDATA[séquesso; raposo]]></category>

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		<description><![CDATA[A coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa.
De quem é a culpa? Dos professores? Certo.
Do Ministério? Certo.
Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color: #800000;"><strong>&#8220;SÉQUESSO&#8221;</strong></span></h2>
<h3><em>por</em> Henrique Raposo [henrique.raposo@gmail.com]</h3>
<p>A pátria adora conversar sobre professores. A pátria, porém, nunca fala sobre educação. Portugal ainda arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma &#8220;marcha da indignação&#8221;. Pois muito bem. Eu também em vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: &#8220;os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever&#8221;.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>A coisa mais básica &#8211; saber escrever &#8211; deixou de ser relevante na escola portuguesa.</strong></span> De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o &#8220;menino&#8221; porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal-educado para o professor. Não se pode dizer que o &#8220;menino&#8221; escreve mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz. O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o &#8220;menino&#8221; deve ter tempo para brincar. Genial: o &#8220;menino&#8221; pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola. Ora, este tal &#8220;menino&#8221; não passa de um mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros; <span style="color: #000000;"><strong>na sua cabeça, &#8220;sexo&#8221; será sempre &#8220;séquesso&#8221;.</strong></span> Neste mundo Peter Pan os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O &#8220;menino&#8221; não sabe escrever a palavra &#8220;recensão&#8221;, mas é um Eça em potência.</p>
<p>Caro leitor, se quer culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do &#8220;menino&#8221; no psicólogo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;"><strong>[end story]</strong></span></p>
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		<title>&#8220;Educar também é dizer não!&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2010 23:08:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tangerina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educar também é dizer não!]]></category>
		<category><![CDATA[é dizer não]]></category>
		<category><![CDATA[educar]]></category>
		<category><![CDATA[Laborinho]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcio]]></category>

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		<description><![CDATA[São francamente difíceis estes tempos em que nos é confiada a educação de crianças que irão viver o apogeu das suas vidas por volta do ano 2050. É um pouco assustador quando pensamos nestes termos!
Com as mudanças tão brutais dos últimos tempos, não temos qualquer hipótese de imaginar o que será e como será esse mundo em que irão viver. Resta-nos, então, debruçarmo-nos sobre o mundo em que vivem (e vivemos) hoje!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Nota de abertura à Palestra realizada pelo Dr. Laborinho Lúcio, sobre o tema “Educar também é dizer não!”</span></h3>
<p style="text-align: justify;"><em>Nota de abertura à Palestra realizada pelo Dr. Laborinho Lúcio, sobre o tema <strong>“Educar também é dizer não!”</strong>, organizada pela Tangerina, realizada na Fundação Eng. António de Almeida, no dia 25 de Outubro de 2010. <span style="color: #808080;">Por</span></em><span style="color: #808080;"> Manuel Rangel</span></p>
<p style="text-align: justify;">São francamente difíceis estes tempos em que nos é confiada a educação de crianças que irão viver o apogeu das suas vidas por volta do ano 2050. É um pouco assustador quando pensamos nestes termos!<br />
Com as mudanças tão brutais dos últimos tempos, não temos qualquer hipótese de imaginar <strong>o que será</strong> e <strong>como será</strong> esse mundo em que irão viver. Resta-nos, então, debruçarmo-nos sobre o mundo em que vivem (e vivemos) hoje!</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito, de resto, que uma educação pensada, reflectida e verdadeira – aquilo a que chamaria uma educação sólida! &#8211; em qualquer época, é o sustentáculo bastante para a vida, seja qual for o tempo em que ela se vá viver! Mas não me quero adiantar, nem apressar a concluir!</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria, antes, de começar por colocar algumas questões – aquelas que se nos colocam diariamente, que a toda a hora nos sobressaltam.</p>
<p style="text-align: justify;">Por profissão uns, por inerência da sua paternidade, outros, somos todos chamados a educar num mundo muito diferente já daquele em que fomos educados e em que vivemos grande parte das nossas vidas.</p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>O que mudou, então?</strong></span></h2>
<p style="text-align: justify;">As crianças actuais vivem:</p>
<p style="text-align: justify;">-  em famílias muito mais pequenas, muito menos numerosas &#8211; passou-se em poucos anos, em Portugal,  de uma média de 4 / 5 crianças por família (de filhos por casal) para qualquer coisa como 1,4 / 1,5 nos dias de hoje;<br />
- mas vivem também em núcleos familiares muito mais restritos – a ideia de família alargada é já rara; a proximidade e presença, outrora frequente, de avós, tios, primos começa a ser hoje uma raridade; aliás, tirando casos excepcionais, as crianças de hoje são também já netas de avós ambos com uma vida profissional fora de casa;<br />
- vivem, também, em famílias cada vez mais diferentes, menos uniformes – famílias monoparentais, famílias de pais separados, famílias com um dos elementos ausentes por períodos prolongados; crianças com mais do que uma casa-núcleo de família;<br />
- famílias e pais cada vez mais sobre ocupados – com horários prolongados, com múltiplos empregos, com vida social intensa;<br />
- crianças que, por necessidade de organização familiar, passam cada vez mais horas da sua vida na escola ou noutras instituições;<br />
- crianças entregues, em casa, também cada vez mais horas à Televisão – essa grande “ama universal”, como lhe chamou Liliane Lurçat, há mais de 20 anos; hoje prolongada por consolas, computadores e pela Internet;<br />
- crianças que vivem em espaços, frequentemente, até, de melhor qualidade, mas fisicamente cada vez mais limitados – as casas são escandalosamente caras e por isso também escandalosamente exíguas; os jardins, os pátios, os parques, as ruas, as cidades em que vivem cada vez mais perigosos;<br />
- crianças e famílias fortissimamente pressionadas por uma sociedade de consumo completamente desenfreada que, percebendo, nos últimos anos, a força e o poder das crianças no seio das famílias, para elas direccionou todas as suas baterias.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por tudo isso que temos hoje, nas escolas, crianças ultra-desenvolvidas intelectualmente, hiper-estimuladas, com quantidades absolutamente fascinantes de informação, mas que, com frequência, aos 6/7 anos não sobem uma escada alternando os pés. Crianças que nos falam de dinossauros, anquilossauros, tiranossauros, que falam do Big-bang, de galáxias, dos aneis de Saturno, e no meio procuram a chupeta, a fraldinha ou o boneco de estimação.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos hoje crianças nas escolas que, para nossa inveja, aos 5/6 anos mexem, com todo o à-vontade, em comandos, em DVD&#8217;s, manipulam com excepcional destreza telemóveis, consolas e computadores, mas continuam a tomar biberão, não sabem apertar sapatos, não vestem um casaco ou despem uma camisa, não descascam uma peça de fruta, não conseguem separar na boca os caroços das cerejas&#8230; já para não falar, em separar as espinhas do peixe ou os ossos do frango&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Em artigo que publiquei, há uns tempos atrás, chamei-lhes a geração “Chicco” (passe a publicidade). Uma geração que queremos infalivelmente segura&#8230; a quem tentamos tirar todos os perigos e obstáculos da frente. Vasculhamos e preparamos tudo à sua volta para que não contactem com pregos, parafusos, farpas, ferrugem, objectos ponteagudos. Tratamos da sua alimentação para que não tenha couves, ossos, caroços, espinhas e, até, côdea no pão. Queremos, para eles, um mundo de plástico – totalmente polido, burilado, arredondado, almofadado! Um mundo sem quaisquer perigos nem sobressaltos!</p>
<p style="text-align: justify;">Como se tal fosse possível!!!&#8230;<br />
Pretendemos dar-lhes “rosas sem espinhos”, quando sabemos que esse não será o mundo em que viverão. Concluía, então, que procuramos hoje tirar-lhes todos os engulhos do caminho, esquecendo-nos que isso não durará para sempre! E quando chegar o momento em que temos de lhes pedir esforços e em que queremos que enfrentem, com coragem e eficácia, as dificuldades e obstáculos, verificamos, com grande espanto nosso (!!!), que para tal não estão preparados.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis-nos, pois, para mim, no cerne das questões que se colocam actualmente à educação dos nossos filhos/alunos:</p>
<h3><span style="color: #800000;"><strong>1. Democratizámos</strong>, </span>sem qualquer espécie de dúvida, a educação das gerações mais novas,</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>- mas</strong> será que os ensinamos a viver efectivamente de uma forma democrática? Será que eles conhecem e respeitam as regras fundadoras da democracia, na sua forma de estar e encarar os outros?</p>
<h3><span style="color: #800000;"><strong>2. Libertámos</strong>,</span> sem qualquer espécie de dúvida, a educação das nossas crianças, dando-lhes total liberdade de pensamento e de expresessão e todo o espaço de participação nas suas (e nossas) vidas,</h3>
<p style="text-align: justify;">- <strong>mas</strong> será que lhes ensinamos, do mesmo modo, os limites dessa própria liberdade? Será que os fazemos entender, claramente, a velha máxima de que a liberdade de cada um termina onde começa a dos outros, onde colide com a dos outros (onde nós, pais e professores, estamos incluídos)?</p>
<h3><span style="color: #800000;"><strong>3. Garantimos-lhes</strong>,</span> hoje, sobretudo no nosso tipo de sociedades, todos os seus direitos básicos,</h3>
<p style="text-align: justify;">- <strong>mas </strong>será que lhes exigimos, com igual firmeza, o cumprimento dos seus deveres perante o próximo, o grupo e a sociedade? Será que entendem que o cumprimento desses mesmos deveres é a única garantia sobre os seus próprios direitos?</p>
<p style="text-align: justify;">E a questão que aqui se coloca, o problema que está em causa, creio, não é só o dos valores nos quais formamos as novas gerações – os nossos alunos, os nossos filhos. A questão parece-me ir bastante mais longe.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>O que podemos estar a pôr em causa é a sua própria estruturação como pessoas, a formação da sua personalidade individual. É o seu desenvolvimento psicológico que pode ficar comprometido</strong>.</span></h3>
<p style="text-align: justify;">João dos Santos, um dos nossos mais notáveis pedagogos, pedopsiquiatras e psicanalistas, alertava-nos, já nos anos 70 do século passado, para <strong>a importância da frustração e da auto-repressão</strong> no crescimento e formação das crianças e adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizia ele, então, que “a criança precisa de ser frustrada para sentir que não pode possuir tudo e para poder pensar em vez de fazer; [precisa] de ser contrariada para sentir que há outros interesses além do seu (&#8230;)” <a href="http://www.tangerinaeducacao.pt/blog/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a>. Acrescentava, num outro momento que “a criança que, por hipótese, fosse criada num espaço sem limites, morreria não só como pessoa mas também como ser físico. (…) A criança necessita de se reprimir porque apreende espontaneamente que não pode fazer tudo, não pode dizer tudo, não pode exprimir todas as suas emoções. Não pode porque precisa de organizar a sua vida interior, o seu mundo secreto, a sua filosofia, a sua forma particular de combater os medos e de dominar a ansiedade ou medo indefinido e sem objecto” e terminava dizendo: “(&#8230;) Não é necessário reprimir as crianças, é só necessário que as ajudem a reprimir-se. Para que elas sejam inteligentes e criativas.” <a href="http://www.tangerinaeducacao.pt/blog/wp-admin/post-new.php#_ftn2">[2]</a> &#8230; e equilibradas, acrescentaria eu.</p>
<p style="text-align: justify;">Curiosamente, as próprias crianças têm clara consciência disso mesmo.<br />
Numa das nossas sessões de Filosofia com Crianças, realizada no final do ano passado, com o 4º ano, discutiu-se, precisamente, a partir do Livro dos Grandes Opostos Filosóficos, de Oscar Brenifier, o binómio Liberdade/ Necessidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A dada altura da conversa, e muito ao jeito das crianças, discutia-se sobre “o que seria melhor”: se a Liberdade ou a Necessidade. Uma das crianças, a A. M., já tinha dito que para ela seria melhor a necessidade “porque temos que ter alguém que nos controle”; então, uma outra, o H, acrescentou:</p>
<p style="text-align: justify;">- “Concordo com ambos, porque a liberdade é boa para fazermos o que nos apetece mas a necessidade também é boa porque, às vezes, precisamos de vigilância”.<br />
- “Também concordo, disse M, porque precisamos muito de ajuda.”<br />
- Mais radical, um dos G., diz mesmo:  “é melhor a necessidade porque temos que ter regras para conseguirmos viver todos juntos”.<br />
- O outro G. volta a sublinhar a importância das duas: “Sem liberdade não nos podemos expressar, mas sem necessidade também não faríamos a maior parte das coisas boas e o mundo estaria ainda pior.”<br />
- E A. conclui: “Ambas são importantes mas eu estou mais do lado da necessidade, porque se não cumprirmos as necessidades não temos liberdade.”</p>
<p style="text-align: justify;">É apenas um resumo da extraordinária conversa que se manteve, ao longo de mais de duas sessões sobre este tema, com as crianças. É fantástica a sua lucidez!</p>
<p style="text-align: justify;">Conhecendo eles, por experiência própria, o mundo liberal em que vivem, estas afirmações assumem, do meu ponto de vista,  quase os contornos de um <strong>apelo</strong>. Eles talvez não gostem, sobretudo à partida, de ser contrariados; talvez até protestem, mas, no seu íntimo, entendem-nos muito bem. Sabem muito bem aquilo de que precisam.</p>
<p style="text-align: justify;">São, pois, estes, alguns dos nossos dilemas diários! E é, justamente, sobre estas questões, tão complexas quanto urgentes, que nos parece necessário reflectir e discutir em conjunto – Pais e Professores.</p>
<p style="text-align: justify;">E foi para nos ajudar a reflectir, sobre este assunto que convidamos, hoje, uma pessoa muito, muito especial para o fazer – o <strong>Dr. Laborinho Lúcio</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma pessoa à altura da dificuldade e urgência do problema</strong>:<br />
- pela sua extraordinária experiência pessoal e profissional;<br />
- pelo seu invulgar conhecimento destas questões;<br />
- pela amplitude invulgar, também, da sua cultura;<br />
- pelas suas inegualáveis qualidades humanas e pessoais.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao Dr. Laborinho Lúcio, estamos, pois, muito, muito gratos por ter aceite encaixar na sua preenchidíssima agenda, com tanta disponibilidade o convite que lhe fizemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Manuel Rangel</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.tangerinaeducacao.pt/blog/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> João dos Santos, Ensaios sobre Educação I, A criança quem é?, 1982, p.16</p>
<p><a href="http://www.tangerinaeducacao.pt/blog/wp-admin/post-new.php#_ftnref2">[2]</a> João dos Santos, Ensaios sobre Educação II, O Falar das letras, 1983, pp.114-115</p>
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		<title>A Devida Comédia</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 15:38:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tangerina</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Devida Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Temas em Discussão]]></category>

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		<description><![CDATA[A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc. e tal.
Enviado por uma "Mãe"... mais uma acha para a fogueira!...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color: #808080;"><span style="color: #000000;">por </span><em>Miguel Carvalho</em></span></h2>
<p>Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.</p>
<h2><strong><span style="color: #800000;">Criancinhas</span></strong></h2>
<p>A criancinha quer <em>Playstation</em>. A gente dá.<br />
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.<br />
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.<br />
A criancinha quer camisola adidas e ténis <em>nike</em>. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.<br />
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.<br />
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.</p>
<p>Entretanto, a criancinha cresce. <span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;">Faz-se projecto de homem ou mulher.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center; padding-left: 60px;"><a href="http://www.tangerinaeducacao.pt/blog/http://www.tangerinaeducacao.pt/wp-content/uploads/2014/05/vida-sustentavel-021.jpg"><img class="wp-image-624 size-full" src="http://www.tangerinaeducacao.pt/blog/http://www.tangerinaeducacao.pt/wp-content/uploads/2014/05/vida-sustentavel-021.jpg" alt="" width="400" height="200" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Desperta!</strong></span></h1>
<p>É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.</p>
<p>A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.<br />
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc. e tal.</p>
<p>A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência<br />
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em<br />
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».<br />
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».</p>
<p>A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».</p>
<p>Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?<br />
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.</p>
<p>A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas.<br />
<span style="color: #800000;">A gente olha para o lado e ela <strong>incha.</strong></span></p>
<p><span style="color: #808080;"><strong>Artigo publicado na revista<span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;"><em> VISÂO online</em></span></span></strong></span></p>
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		<title>A importância de saber chegar a casa a horas</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 15:32:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tangerina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Chegar a casa a horas]]></category>
		<category><![CDATA[Temas em Discussão]]></category>
		<category><![CDATA[chegar a casa; casa; horas; estar com filhos]]></category>

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		<description><![CDATA[E porque também de tempo, atenção e afecto se faz a disciplina... uma perspectiva realista e optimista do Prof. Mário Cordeiro.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>A importância de saber chegar a casa a horas</strong></span></p>
<p><strong>Mário Cordeiro, pediatra, </strong>disse na semana passada numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos.<br />
Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.<br />
Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.<br />
Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.<br />
Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma.<br />
Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.</p>
<p><em><strong>in Boletim de Julho da Acreditar</strong></em></p>
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